Aumento do poderio militar e da influência da China faz os EUA mudarem o foco para a Asia.

“Os EUA promoveram no início de 2012 a mais profunda mudança estratégica na sua política externa e de defesa desde 2002, quando … sob o impacto do atentado de 11 de setembro de 2001”, radicalizaram … “a ação americana no exterior”. Embaixador Rubens Barbosa.

'Map of Southeast Asia' photo (c) 2009, Jeff McNeill - license: http://creativecommons.org/licenses/by-sa/2.0/

Mar do Sul da China, por onde passa 33% do comércio mundial.

A escalada de conflitos na Asia.

As guerras abatem, antes de tudo e principalmente, os direitos humanos. O que já é razão suficiente para defender, lutar e preservar a paz. E a melhor forma de fazê-lo é justamente garantir, ampliar e exercer intransigentemente, em todo o mundo, a liberdade de expressão, de informação e de associação, dentre outros direitos.

As guerras, também, afetam os três grandes pilares do movimento por uma Nova Economia. Aumentam as desigualdades sociais, as perdas humanas e materiais e degradam as condições de vida das populações atingidas. A atividade produtiva converge para gerar armamentos que além de destruir, destroem-se ao serem usados, numa espécie de clímax do crescimento econômico. Além disto, os armamentos trazem uma tremenda agressão ambiental, seja por sua produção seja no seu emprego. E, se já não bastasse, e principalmente, são uma marcha à ré na busca por um melhor bem estar pelo ser humano.

Ocorre, que o risco de guerras está subindo rapidamente. Além dos do Oriente Médio e do “terrorismo”, grandes conflitos estão se delineando na Asia devido à tensão entre a Índia e o Paquistão, ao risco de “contrabando” nuclear principalmente do Paquistão e à presença emergente da China na região em substituição às demais grandes potencias, em especial os EUA.

É por isto que termino esta série de 3 posts sobre violações do direitos humanos expondo este cenário, bastante preocupante, mas, com a esperança que a humanidade seja capaz de se contrapor à doutrina da “segurança nacional”, buscando e fortalecendo o entendimento e decisão transnacionais.

Um recente artigo do ex-embaixador do Brasil nos EUA, Rubens Barbosa, intitulado A Ásia e a estratégia de defesa dos EUA analisa com precisão, a meu ver, o risco na Asia.

Os EUA promoveram no início de 2012 a mais profunda mudança estratégica na sua política externa e de defesa desde 2002, quando … sob o impacto do atentado de 11 de setembro de 2001”, radicalizaram … “a ação americana no exterior”.

A nova política … aponta para um corte substancial no orçamento de defesa e … presume que guerras com grande mobilização de tropas terrestres não voltarão a repetir-se e, em consequência, serão reduzidas, de forma significativa, as ações do Exército e da Infantaria Naval. O tipo de guerra que se desenha para o futuro será determinado por ações secretas, respaldadas por informações da inteligência e por veículos não tripulados (drones), e pela guerra cibernética, como ocorreu no Irã, com ações secretas e a sucessão de mortes de cientistas nucleares que afetaram o programa e as instalações nucleares”.

Ao reafirmar o poder global americano, … em janeiro – “quem diz que os EUA estão em declínio, não sabe do que está falando” -, Obama responde à percepção de que o poderio da China está aumentando perigosamente e necessita ser contrabalançado pelos EUA”.

As primeiras manifestações dessa mudança estratégica foram o anúncio do estabelecimento de uma base permanente na Austrália, o envio de 2.500 fuzileiros navais para ajudarem a manter a segurança da região, o deslocamento de 60% da força naval para o Pacífico até 2020, a aproximação com Myanmar e a ampliada cooperação naval com a Índia e o Japão. A saída total do Iraque, depois do fracasso militar e da reconstrução, e a redução de efetivos militares na Europa completam as medidas iniciais”.

E continua, certamente apoiado no fato que os EUA caminham para uma relativa autossuficiência energética, apontando para um novo foco das ações militares:

Embora os movimentos populares árabes, a crise Israel-Palestina e o programa nuclear iraniano continuem a manter os EUA envolvidos no Oriente Médio, a nova política prevê o “reequilíbrio voltado para a Ásia-Pacífico e o apoio à Índia, como âncora econômica e um elemento de segurança para toda a região do Oceano Índico”. A estratégia visa a aumentar a presença americana na Ásia e a contrapor o poderio chinês do ponto de vista de defesa, econômico e comercial”.

A China, a segunda economia global, amplia seu alcance militar e econômico na região Indo-Pacífica, podendo levar à criação de bloco sinocêntrico, dominando o Pacífico Ocidental. Pelo Mar do Sul da China, declarado de interesse nacional dos EUA, passa um terço do comércio mundial, mais de US$ 5,3 trilhões. A região abriga reservas inexploradas de gás e petróleo e é foco de longas disputas territoriais da China, sobretudo com as Filipinas, o Vietnã e, em especial, Taiwan”.

É importante mencionar, neste contexto, que a China vem investindo fortemente na construção de seu poderio militar. Lora Saalman no artigo “China’s Evolution on Ballistic Missile Defense” mostra que a modernização de sua capacidade militar, em especial, de armamentos nucleares, é um fato. O que inclui sistemas balísticos, submarinos nucleares, naves espaciais e um conjunto de outras formas de dissuasão voltadas principalmente para uma resposta coordenada a um ataque dos EUA.

James M. Acton no artigo “The Dragon Dance: U.S.-China Security Cooperation” analisa esta questão, também, e menciona que a China já dispunha, em 2010, de cerca de 35 mísseis balísticos intercontinentais capazes de atingir os EUA.

Vale também mencionar que as disputas por soberania de ilhas no mar do sul da China envolvendo China, Japão, Vietnã, Filipinas e outros países da região, como mostra Vikram Nehru no artigo “Collision Course in the South China Sea, tem servido, em boa parte, para que as demais potencias se posicionem contra a China. Mas, ao contrário do que se propalou, não foi a principal razão para o recente lançamento do 1º porta-aviões chines, adaptado para o caça-bombardeiro J-15, que seria, sim, parte do fortalecimento de seu poderio militar frente às demais potencias.

Termino sugerindo que você participe da pesquisa relacionada ao tema, no post que se segue, e que utilize preferencialmente a central de comentários para as suas críticas, sugestões e observações.

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